Perder alguém já é difícil. Descobrir que as contas ficaram bloqueadas e ninguém sabe o que fazer, ainda mais. Este artigo explica o prazo real para abrir um inventário, o que muita gente fala errado sobre multa em Minas Gerais, e o que realmente trava enquanto o inventário não é aberto.

Resumo rápido
  • O Código de Processo Civil prevê 60 dias corridos após o óbito para requerer a abertura do inventário.
  • Em Minas Gerais, ao contrário do que muita gente repete, não existe hoje uma multa automática clara por atraso — a regra que previa isso foi revogada.
  • Mesmo assim, atrasar tem custo real: contas bancárias ficam bloqueadas, imóveis não podem ser vendidos ou regularizados, e quem paga o ITCD em até 90 dias do óbito ganha 15% de desconto no imposto.
  • Se há acordo entre os herdeiros, todos maiores/capazes e sem testamento, o inventário pode ser feito em cartório — mais rápido e barato.

Qual é o prazo para abrir um inventário

O Código de Processo Civil prevê 60 dias corridos após o óbito para requerer a abertura do inventário.

Existe multa por inventário atrasado em Minas Gerais?

Hoje não existe multa automática por esse motivo em Minas Gerais. É comum encontrar por aí a informação de que o atraso gera multa de 10% a 20% sobre o imposto — mas essa é uma orientação generalista que não reflete a realidade normativa e jurisprudencial mineira. A legislação tributária do estado já teve regras de penalidade revogadas e reajustadas ao longo do tempo, e o entendimento consolidado pelos tribunais — inclusive pelo Supremo Tribunal Federal — é de que o ITCD só pode ser cobrado depois que a Fazenda estadual (AF/SEF-MG) homologa e apura o cálculo do imposto, não pelo simples fato de o prazo de 60 dias ter passado.

Então por que vale a pena não atrasar mesmo assim?

O risco real não é uma multa automática — é o bloqueio prático dos bens enquanto o inventário não é aberto:

O que fica bloqueado até o inventário ser aberto

Contas correntes e investimentos em nome do falecido, imóveis (sem possibilidade de venda ou regularização de documentação) e veículos costumam ficar travados até a partilha ser formalizada.

Fale com quem entende do assunto

Não sabe por onde começar o inventário da sua família?

A Dra. Deisiane Bhering é advogada especializada em Direito Civil — fale agora e entenda qual é o caminho mais rápido para o seu caso.

Inventário extrajudicial (cartório) vs. judicial

Se há acordo entre os herdeiros, todos são maiores e capazes, e não há testamento, o inventário pode ser feito diretamente em cartório — mais rápido e mais barato. Havendo conflito entre herdeiros, menor de idade envolvido ou testamento, o inventário precisa ser judicial.

Passo a passo básico de como começar

O primeiro passo é reunir os documentos do falecido e dos herdeiros, levantar os bens existentes e definir, com orientação jurídica, se o caso se encaixa no caminho de cartório ou se precisa passar pela Justiça.

Perguntas frequentes

Existe mesmo multa de 10% por inventário atrasado em Minas Gerais?

+

Não. Segundo o entendimento consolidado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais e pelos tribunais superiores, o ITCD só pode ser cobrado depois que a Fazenda homologa o cálculo do imposto — não existe multa automática pelo simples fato de o prazo de 60 dias ter passado.

Posso vender um imóvel do falecido antes do inventário?

+

Não. O imóvel permanece em nome do falecido até a partilha ser formalizada, o que impede venda ou financiamento.

Inventário sempre precisa ser feito na Justiça?

+

Não. Se todos os herdeiros forem maiores, capazes, estiverem de acordo entre si e não houver testamento, o inventário pode ser feito diretamente em cartório.

Existe desconto se eu pagar o ITCD rápido em Minas Gerais?

+

Sim. A legislação tributária mineira prevê desconto de 15% sobre o imposto devido se a declaração for apresentada e o ITCD for pago em até 90 dias contados da data do óbito — um bom motivo prático para não deixar o inventário se arrastar.

O que fazer agora

O prazo de 60 dias existe, e a discussão sobre multa em Minas Gerais é mais controversa do que parece — mas o custo real de esperar é o bloqueio prático dos bens e o desgaste crescente da família. Quanto antes o processo começa, mais simples tende a ser resolver.